OS SENHORES DA(S) CRISE(S)

OS SENHORES DA(S) CRISE(S)

Para controlar a inflação, ou seja, o aumento dos preços para o consumidor, Dilma (ou qualquer outro Presidente ainda amarrado ao Capital) aumenta a taxa de juros básica, o que torna o crédito mais caro e reduz a circulação de dinheiro no mercado, forçando os preços para baixo. Ao mesmo tempo, com o aumento da taxa de juros também se aumenta o valor dos juros que o Governo deve pagar aos bancos pela dívida pública (dinheiro que o Governo pega emprestado para realizar grandes obras, projetos e até para pagar a própria dívida), o que implica que mais dinheiro público deve ser empenhado aos nossos credores. Esse dinheiro precisa sair de algum lugar, por isso temos os cortes orçamentários em Educação, Saúde, Segurança, etc.. Todavia, como alternativa, o Governo poderia auditar a dívida pública que já consome mais de 42% de todo o orçamento anual e corrigir notórias irregularidades e abusos por parte dos seus credores, no entanto, seus credores são também os principais financiadores de partidos e campanhas políticas no Brasil (e no mundo). E ninguém quer mexer na grana do chefe.

A(s) crise(s) então torna(m) os bancos internacionais mais ricos, tirando capital de circulação (e do povo) e transferindo-o para os primeiros, favorecendo assim em muitos bilhões a concentração de renda e as desigualdades sociais. Não é mistério que a maioria dos países do globo estejam se afogando em dívidas enquanto 51% de toda riqueza produzida no mundo se concentra nas mãos de incríveis 0,7% da população terrestre.

A crise é um ótimo negócio para alguns!

Infelizmente para nós, esses “alguns” além de deterem a dívida pública dos Estados também detém parte ou a totalidade das maiores empresas e corporações mundiais que juntas ou isoladamente podem iniciar ou intensificar uma crise. Por exemplo, aumentando o valor do barril de petróleo, fazendo demissões em massa, derrubando seus preços abaixo do custo de produção para falir seus concorrentes e depois comprá-los, etc.. Mais do que participações acionárias e poder de voto nos Conselhos de mega empresas e corporações, esses grandes bancos internacionais (cerca de 80) são tão poderosos e possuem tanto dinheiro que podem simplesmente manipular (e manipulam) o mercado de ações no sentido dos seus interesses. Por exemplo, derrubando ou elevando deliberadamente o valor de suas ações ou as ações dos seus concorrentes (quando existem) a partir da mera conveniência, o que resulta em ainda mais concentração de dinheiro e poder.

Eles podem determinar onde, quando e como será a próxima crise.

No futebol de rua, o dono da bola é quem manda no jogo. Sendo esses grandes bancos internacionais os verdadeiros “donos” do nosso sistema político, não é de se surpreender que em última análise eles acabam gerenciando nossa “democracia” e, claro, não irão ameaçar ou permitir que ameacem seus próprios interesses. Propor a auditoria da dívida pública, por exemplo, pode ser mais do que suficiente para que esses bancos retaliem (ainda mais) países e populações inteiras. Se a crise os fazem ganhar mais dinheiro, a crise também faz parte dos seus interesses.

Acompanhando esse breve raciocínio não há como não se render ao pensamento do notório capitalista Henry Ford:

“Convém que o povo não perceba o sistema bancário e monetário, pois se percebesse, acredito que haveria uma revolução antes de amanhã de manhã.”

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