A questão da UPA em Diamantina – Muito Além do Óbvio

A questão da UPA em Diamantina – Muito Além do Óbvio

Hoje, 31/07, fui convidado a conceder uma entrevista à uma equipe de jornalistas da TV Alterosa para falar, enquanto cidadão diamantinense, sobre a vergonhosa e revoltante questão da UPA em nossa cidade. O que eu não esperava é que uma simples entrevista fosse revelar muito mais do que o óbvio, aquilo que é visível “a olho nu”. E o que não é visível, é ainda mais revoltante. 

Para preparar seu estômago, caro(a) leitor(a), vamos começar pelo óbvio: existe um milionário investimento de recursos públicos (seu dinheiro) que há duas administrações municipais (Padre Gê e Paulo Célio) encontrasse de portas fechadas para a população, tanto diamantinense quanto de municípios vizinhos, que também poderiam estar usufruindo de uma Unidade de Pronto Atendimento com estrutura e equipamentos para atender e salvar dezenas de milhares de vidas. Se você já ficou três ou mais horas de uma madrugada gelada se contorcendo de dor numa cadeira de plástico barato da Santa Casa esperando atendimento médico, talvez saiba do que eu estou falando. Pois bem, essa é a parte óbvia da história. 

Não tão óbvio para a maioria é que existem equipamentos caríssimos como máquinas de raio X, leitos médicos e muito mais “apodrecendo” dentro das salas e corredores empoeirados da UPA, ao lado de paredes mofadas e um teto rico em infiltrações e teias de aranha. As portas de acesso ao prédio são mantidas fechadas não por trancas ou cadeados, mas por móveis que deveriam estar sendo usados por médicos e pacientes. Se você pensou em um sistema de alarme para proteger NOSSO patrimônio, a Prefeitura pensou em vasilhas de alumínio equilibradas sobre cadeiras e caixas de papelão. Se alguém tentar abrir a porta (não seria necessário arrombá-las), os guardas municipais que guardam o lugar seriam alertados pelo barulho dos objetos de metal caindo no chão. Pelo menos assim esperamos, uma vez que os únicos profissionais verdadeiramente preocupados com a UPA são os honrados guardas municipais que se viram como podem para proteger aquele patrimônio da ação de bandidos e ladrões. Mas e se quem retira os equipamentos de dentro da UPA for a própria Prefeitura de Dimantina? 

Rumores de que equipamentos médicos que SOMENTE poderiam ser utilizados na/pela UPA estejam saindo do prédio para servir à outros interesses circula pelos becos e ouvidos da cidade. Mas rumores e boatos não são provas e ninguém, nem mesmo o Prefeito, pode ser acusado de qualquer coisa (salvo incompetência), caso não haja provas e evidências para tanto. Acontece que eu, a equipe de jornalismo da TV Alterosa e mais três ou quatro testemunhas presenciamos o exato momento em que uma senhora e um senhor retiraram uma cadeira de rodas de uma das salas da UPA, coletaram uma assinatura da agente da Guarda Civil Municipal que ali trabalhava e colocaram a cadeira de rodas na carroceria de uma pick-up com o brasão da Prefeitura de Diamantina estampado nas laterais. Não tenho qualquer receio em dizer o que digo, pois além de minha consciência, conto com a confirmação de várias testemunhas e com as filmagens feitas pela equipe da TV Alterosa, que pode ou não transmiti-las em sua matéria. 

Sabemos que os equipamentos da UPA são terminantemente PROIBIDOS, por lei, a deixar o prédio. Nem mesmo a Prefeitura pode fazê-lo, sem uma ordem judicial que a autorize. Não me cabe e nem caberia aqui fazer acusações sem provas, mas me cabe sim, como cidadão diamantinense, receber uma simples satisfação da Prefeitura de Diamantina, seja através de sua Secretaria de Saúde, do Prefeito Paulo Célio ou de qualquer um que possa falar em nome dela. Para onde foi levada a cadeira de rodas que saiu da UPA (pois quem retirou não quis ou soube informar)? Existe uma autorização judicial para retirá-la? Onde está essa autorização? Outros equipamentos têm sido retirados da UPA? Afinal de contas, quando aquele caro e necessário investimento será, finalmente, “entregue” à população? 

Por fim, o que também não é óbvio para a maioria da população diamantinense, é o relato do Sr. Pedro, um indignado (porém, simpático) senhor, que trabalha num ferro velho, bem em frente à UPA. Talvez vocês já o tenham visto por ali, com seus longos rastafaris e seus cachorros vira-latas que latem para todo mundo que passa por perto. Quando a entrevista começou, ele logo apareceu e tomou a iniciativa de nos contar que havia sofrido um segundo infarto dias atrás, por sorte foi levado à tempo ao hospital onde, inadvertidamente, seria obrigado a esperar por horas por um atendimento que só veio, segundo ele, quando, desesperado, começou a xingar e ameaçar chamar a imprensa para denunciar o descaso com o qual estava sendo atendido. “Escapou por pouco”, nas palavras dele. 

Por tudo que vi e ouvi essa tarde, não posso deixar de questionar: quando a UPA se tornará uma necessidade “óbvia” e urgente para a Prefeitura? 

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